Cai o marqueteiro de Ricardo Ferraço
Estamos vivendo uma eleição dura e reações quase que instantâneas.
A política raramente é feita apenas de coincidências. Mas também não pode ser analisada a partir de certezas que os fatos ainda não permitem sustentar.
O que se sabe objetivamente é que, após a divulgação da pesquisa Veritá, ocorreu mais uma mudança na equipe de comunicação ligada ao projeto eleitoral de Ricardo Ferraço. Trata-se do terceiro marqueteiro substituído em aproximadamente seis meses, um dado que, por si só, revela dificuldades na consolidação de uma estratégia capaz de impulsionar a pré-candidatura governista.
Também é fato que a pesquisa apresentou sinais políticos relevantes. Em todos os cenários divulgados, o ex-prefeito de Vitória,Pazolini, apareceu liderando a disputa. Além disso, possíveis adversários situados tanto à direita quanto à esquerda demonstraram capacidade de crescimento eleitoral, alguns alcançando patamares competitivos que expõem fragilidades do campo governista, a ponto de inclusive passar Ricardo Ferraço e empatar com o mesmo.
Outro aspecto que chamou atenção foi a ausência de outros nomes vinculados ao Palácio Anchieta em determinados cenários. Ainda assim, os números indicaram dificuldades para transformar a estrutura administrativa do governo em vantagem eleitoral automática para o projeto de sucessão liderado por .
Naturalmente, a substituição do marqueteiro alimenta especulações. Afinal, mudanças sucessivas em áreas estratégicas costumam ocorrer quando os resultados esperados não aparecem. Porém, afirmar que a pesquisa foi a causa direta da troca seria extrapolar os fatos conhecidos.
O que a cronologia permite observar é que a divulgação dos números e a mudança na comunicação aconteceram praticamente no mesmo contexto político. O que ela não permite afirmar, ao menos por enquanto, é uma relação de causa e efeito comprovada entre os dois acontecimentos.
Talvez a questão mais relevante não seja a saída de mais um marqueteiro. O dado politicamente mais significativo pode ser outro: a persistência da dificuldade de fazer decolar uma candidatura apoiada pela máquina estadual, enquanto adversários conseguem ampliar espaço no debate público e consolidar narrativas próprias.
Pesquisas são fotografias de um momento. Eleições são filmes longos. Mas quando sucessivas fotografias começam a revelar tendências semelhantes, ignorar os sinais passa a ser um risco maior do que enfrentá-los.
Por enquanto, a troca do marqueteiro pode ser vista como um ajuste de rota. O que ainda está em aberto é se o problema está na comunicação, no posicionamento político da candidatura ou na leitura que o eleitorado faz do projeto de continuidade representado pelo grupo governista.

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