A história envolvendo a Apex ganha novos contornos e coloca o atual governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, diretamente no histórico empresarial de uma das empresas que posteriormente se tornaram importantes na estrutura de financiamento da companhia.
Reportagem publicada nesta terça-feira (11) pela revista Veja revela, com base em novos documentos societários, que Ricardo Ferraço foi diretor comercial da Rhino Securitizadora e que uma empresa representada por ele, a Trekking Gestão e Estratégia Empresarial, detinha 25% da companhia.
Segundo a publicação, a participação foi transferida em agosto de 2022 para a CMRF Investimentos e Participações, representada pelo filho de Ricardo, Pedro Chieppe Ferraço. A operação ocorreu um dia depois do início oficial da campanha eleitoral daquele ano, quando Ricardo retornou à política e foi eleito vice-governador do Espírito Santo.
A reportagem da Veja aponta que o vínculo chama ainda mais atenção porque Pedro Ferraço passou a ocupar posições na própria Apex Partners. Conforme a Veja, ele foi apresentado como cofundador e vice-presidente da Apex e, posteriormente, tornou-se também acionista direto da Apex Partners Gestão de Ativos.
A conexão entre as empresas ganhou relevância diante da crise financeira que atingiu a Apex. De acordo com documentos apresentados à Justiça, R$ 452,1 milhões dos R$ 985,6 milhões do passivo preliminar informado pela companhia estavam relacionados a debêntures emitidas por intermédio da Rhino. Os valores ainda dependem de validação segundo a Revista Veja.
A reportagem da Veja mostra ainda que, em janeiro deste ano, a Rhino aprovou uma nova emissão de até R$ 60 milhões, vinculada a direitos creditórios nos quais a BRM Apex Investimentos figurava como cedente e/ou devedora. Dois dias depois, Pedro Ferraço foi eleito diretor de compliance da Rhino, responsável pelas regras, políticas, procedimentos e controles internos da securitizadora.
Os novos documentos, portanto, ampliam a dimensão política do caso. A crise da Apex, que já envolve um passivo preliminar próximo de R$ 1 bilhão e levou ao afastamento de seus principais executivos, agora também revela uma conexão empresarial anterior entre o atual governador do Espírito Santo, a Rhino e seu filho, que posteriormente passou a integrar a estrutura da Apex.
A própria Veja ressalta que os documentos não demonstram que Ricardo Ferraço tenha participado das operações realizadas entre a Rhino e a Apex depois de sua saída. Ainda assim, diante da dimensão da crise e dos valores envolvidos, a revelação de que o atual governador foi diretor e esteve ligado societariamente à empresa que anos depois se tornaria uma das principais financiadoras da Apex acrescenta uma nova peça a um caso que já ultrapassou o mercado financeiro e passou a ter forte repercussão política no Espírito Santo.

Leave a Reply