A Polícia Federal (PF) identificou indícios de uma “rede de influências espúrias” envolvendo o juiz federal Macário Júdice Neto no âmbito do governo do Espírito Santo, liderado por Renato Casagrande. A conclusão consta em relatório baseado em mensagens encontradas no celular do empresário Adilson Ferreira, apreendido durante a Operação Baest, em 2025.
Segundo a PF, diálogos entre 2023 e 2024 indicam que o magistrado teria atuado em favor de uma empresa interessada em uma licitação da Secretaria de Educação, orientando estratégias jurídicas e acompanhando recursos dentro da Procuradoria-Geral do Estado (PGE). A investigação também aponta possível uso de intermediários, incluindo o procurador Rodrigo Júdice, irmão do juiz, hipótese negada por ele.
As conversas foram compartilhadas com autorização do ministro Alexandre de Moraes. O relatório também menciona possível proximidade entre o magistrado e o governador, com suspeita de troca de favores, embora a PF não tenha estabelecido ligação direta entre esse relacionamento e a suposta rede de influência.
Em nota, a Secretaria de Educação afirmou que seus processos licitatórios seguem rigorosos mecanismos de controle. A PGE informou que rejeitou os recursos da empresa citada e reforçou a integridade de seus procuradores.
A defesa de Adilson Ferreira sustenta que os diálogos não indicam ilegalidades. Já o advogado de Macário Júdice não se manifestou. O governador declarou anteriormente que sua relação com o juiz foi “institucional e republicana”.
Macário Júdice está preso desde dezembro, acusado de vazar informações de investigações. A PF solicitou a abertura de novos inquéritos para aprofundar o caso.
Fonte: Folha de São Paulo


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